Não é errado dizer que este livro trata da formação de jogadores e que seu universo são os circuitos que margeiam os centros especializados, em geral vinculados aos clubes profissionais e aos agentes de jogadores. Mas como a etnografia vai muito além e o interesse se desloca da formação de jogadores para a constituição da pessoa desses jovens futebolistas: sujeitos lapidados socialmente em meio às agruras características das classes trabalhadoras urbanas, permeados por desafios de toda ordem – muito além daqueles que o treinamento e a competitividade impõe – e cheias de esperanças, sonhos, ilusões e, eventualmente, realizações. As teias que conectam diferentes mundos: o futebol profissional e o amador (a várzea), o espectro da dádiva e do interesse, os “aparentamentos” que forjam coletivos de cooperação e conflito, múltiplos cenários de periferia urbana, identificações de classe, de gênero e de geração.




